Com o prolongamento da pandemia de Covid-19 no mundo e a orientação de isolamento social como importante medida de proteção, além dos cuidados de higiene, o ensino a distância e o home office passaram a fazer parte do dia a dia de inúmeras famílias. De fato fomos surpreendidos por essa situação, sem tempo para nos prepararmos, com muitas dúvidas sobre essa nova doença e sem sequer imaginar que se prolongaria por tanto tempo .

Dentre as dificuldades impostas pela nova realidade, a preocupação com a doença e suas possíveis graves complicações se impuseram num primeiro momento. Agora já percebemos, na prática clínica e na literatura científica, o surgimento de dados sobre as repercussões emocionais do isolamento social. O número de casos de depressão e de ansiedade tem aumentado expressivamente ao longo desse período, especialmente entre crianças e adolescentes. Por isso, alguns cuidados simples podem colaborar para evitar tais transtornos.

=> Evite falar sobre pandemia, número de mortos, segunda onda e outras questões relativas ao coronavírus de forma excessiva e diária perto dos pequenos. As crianças criam fantasias realmente assustadoras sobre a doença e, muitas vezes, não comentam com os pais, o que leva a grande sofrimento psíquico. Esse sofrimento pode se manifestar de diversas formas tais como: distúrbios do sono (insônia, medo de dormir sozinho, pesadelos, bruxismo, etc.), inapetência ou fome excessiva, tristeza, agitação, irritabilidade, onicofagia (roer unhas), choro excessivo, tiques, depressão, ansiedade e até mesmo estresse pós-traumático e síndrome do pânico.

=> É importante que a criança ou o adolescente não passe longos períodos em frente a telas (TV, tablets, celular, computadores), a interação humana saudável é a melhor forma de manter a saúde mental. Promova momentos de convívio familiar agradável, com atividades estimulantes e alegres, pois isso os mantém vinculados emocionalmente às famílias e com sentimento de segurança.

=> Quando possível e com segurança, promova momentos de convívio com outras crianças,  em locais abertos e arejados, onde os pequenos possam correr, interagir, entrar em contato com a natureza e tomar sol.

=> É importante que se mantenham as atividades pedagógicas para os maiores de 5 anos de forma rotineira, buscando a melhor maneira de se obter o engajamento da criança às atividades de ensino a distância. Para os menores, promova momentos breves de atividades de caráter estruturado, porém lúdicos, que podem ser desenvolvidos por alguém da família (pais, cuidadores ou professores), que vão colaborar para que se mantenha o desenvolvimento neuropsicomotor da criança. Podem ser utilizados músicas, filmes, livros e até mesmo as atividades domésticas diárias.

=> Atenção especial para que se tente manter uma rotina, já que a ausência das atividades fora de casa leva a mudanças de hábitos tais como: redução nas atividades físicas, aumento de tempo de uso de telas, dietas inadequadas com maior consumo de calorias e alterações nos hábitos de sono (dormir e despertar tarde). O ganho de peso na quarentena, tão propagado entre os adultos, afeta igualmente ou até mais fortemente as crianças e os adolescentes, com todas as repercussões a curto e a longo prazo.

=> Por fim, tem sido observados atrasos no desenvolvimento da fala e da capacidade de comunicação, já que a falta de contato com outras crianças, na escola ou em ambientes de convivência, atrasa ou altera o desenvolvimento, na medida em que elas não exercitam a alternância entre o comportamento verbal de ouvinte e de falante durante brincadeiras e atividades realizadas em grupos. Assim, a constância do contato da criança com seus pares e a própria atenção dos cuidadores com a comunicação verbal dirigida à criança promoverão o estímulo ao desenvolvimento dessa importante habilidade.

Precisamos estar atentos para minimizarmos os efeitos deletérios da pandemia sobre o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, sem deixar de seguir os cuidados com a prevenção da Covid 19, um cuidadoso planejamento de retorno às atividades presenciais, assim como a atenção ao ambiente familiar são assuntos urgentes e necessários.

Dra. Nádia Maria Souza

CRMMG: 22078

Para informações adicionais:

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22801c-DC-Assist_Neurpediatrica_em_tempos_de_pandemia.pdf

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